Fraquezas.
renda-se ao clichê.
Sair obrigatóriamente,
pra um lugar que você não se sente confortável,
com pessoas que você não gosta, ouvir músicas que são como ofensas pros
seus ouvidos somente na tentativa de se divertir pelo menos de vez
enquando. Assim, uma vez na semana, no mes talvez. Reclamam da minha
falta de vida, mas descobri que sou mais feliz sozinha. Sem forçar ser
algo que não sou, não precisar me esconder para agradar os outros. Sou
mais feliz quieta em uma sexta feira, ouvindo música velha e comendo
besteiras sem me preocupar com o meu peso. Eu trocaria todos os sorrisos
simpáticos que vi ontem por alguém que estivesse seguro aqui de baixo
do meu cobertor, que não se importasse com a cor do meu batom, muito
menos com o tamanho do meu vestido. É simples, não peço muito. Chega de
gastar dinheiro no que me faz mal. Não impota o quanto eu esteja
sozinha, o importante é dar valor ao que me faz bem. Mesmo que seja
assim, sem ninguém.
Coloquei um casaco e saí.
Saí sem rumo, sem certezas e planos. A única
certeza que eu tinha é que eu não queria mais voltar para lá, apertava
os olhos com força ao lembrar das suas mãos em baixo das minhas, ao
tentar tira-las quando puxava o meu cabelo pra baixo. Como se pudesse
disputar minha força com um homem berando os quarenta. Meus olhos mal
conseguiam enxergar os carros na rua, estavam inchados por causa das
lágrimas que me embaçavam a visão. Não havia ninguém na rua, era
realmente tudo que eu precisava, ficar alí, sozinha. Por incrível que
pareça me senti segura por estar longe de casa. Me concentrei tanto no
ódio que esqueci das dores físicas. Meu cérebro tentava decifrar onde
doía mais, mas desistia, porque tudo doía. A cabeça, os braços, o
estômago, o coração. Lembrei de minha mãe dizendo no natal de 2004
“encontrei alguém que possa suprir a saudade que você sente do seu pai.”
Eu realmente acreditei que isso fosse possível, pelas qualidades do
desconhecido, pelo seu sorriso simpático, pelos planos que tinha na
vida. Embora minha avó tenha sido contra, com três meses de namoro minha
mãe resolveu morar na casa dele, comigo junto, é claro. O começo mais
se parecia com o fim, já que dizem que os finais são felizes. Quem diz
isso a uma criança de 5 anos na ausência de seu pai, não sabe a ilusão
que criou sobre ela. Minha mãe se tornou completamente dependente
daquele homem, mesmo dizendo que não me trocaria por absolutamente nada,
ela conseguiu isso sem medir esforços. Quem me ouve falando isso diz
que sou dramática, ou que tenho ciúmes, mas a verdade é que só eu sei o
que eu passava quando ela não estava em casa. E não existe dor maior do
que você contar pra sua mãe o que um estranho te fez e ela ignorar, como
se eu fosse uma criança mentirosa. Fui rejeitada antes mesmo de me
explicar, e parecia que piorava todas as vezes em que eu buscava ajuda.
Eu simplesmente me calei, a única forma que eu encontrava de desabafar
era me machucando…
Mãe, você lembra da vez que brigou porque eu não tinha lavado a louça e estava dormindo? Era porque o homem que faria com que eu amenizasse a saudade do meu pai me trancou três dias no quarto, sem ter o que comer, com a luz apagada. Desculpa por eu não ter lavado a louça, mas eu não podia disputar a minha força com ele, e eu precisava dormir pro tempo passar e eu arrumar a casa pra senhora. Me desculpa por todas as vezes que te fiz chorar contando a verdade, e você não acreditou em mim. Me desculpa pelos 43 comprimidos que foram caros, e eu os joguei fora. Mas foi por não querer ser a causa da sua separação, você ficava tão linda sorrindo, mesmo que fosse do lado dele. Me desculpa por tudo o que eu te causei, eu não tinha o direito de ser o motivo de nós duas estarmos morando sozinhas agora. Só quero te dizer que eu não supri a saudade do meu pai, e que eu agradaço todos os dias por você ter me visto naquele estado, pelo menos agora você confia em mim. É, mãe. Depois de 18 anos você finalmente conheceu a filha que tem, só lamento ter demorado esse tempo todo pra me conquistar. Eu aprendi a voar. Sozinha, como sempre fui.
Mãe, você lembra da vez que brigou porque eu não tinha lavado a louça e estava dormindo? Era porque o homem que faria com que eu amenizasse a saudade do meu pai me trancou três dias no quarto, sem ter o que comer, com a luz apagada. Desculpa por eu não ter lavado a louça, mas eu não podia disputar a minha força com ele, e eu precisava dormir pro tempo passar e eu arrumar a casa pra senhora. Me desculpa por todas as vezes que te fiz chorar contando a verdade, e você não acreditou em mim. Me desculpa pelos 43 comprimidos que foram caros, e eu os joguei fora. Mas foi por não querer ser a causa da sua separação, você ficava tão linda sorrindo, mesmo que fosse do lado dele. Me desculpa por tudo o que eu te causei, eu não tinha o direito de ser o motivo de nós duas estarmos morando sozinhas agora. Só quero te dizer que eu não supri a saudade do meu pai, e que eu agradaço todos os dias por você ter me visto naquele estado, pelo menos agora você confia em mim. É, mãe. Depois de 18 anos você finalmente conheceu a filha que tem, só lamento ter demorado esse tempo todo pra me conquistar. Eu aprendi a voar. Sozinha, como sempre fui.
É que eu sou assim,
dependo do piegas e
apesar da idade, não me imagino em um relacionamento que não exista o
mínimo do clichê. Por tanto, não se culpe dizendo que não soube dar o
melhor de si, porque eu entendo o teu jeito indifente de ser. Só não sou
obrigada a me acostumar, sou uma típica canceriana que anceia por
proteção. Posso parecer enjoativa, mas a verdade é que toda mulher se
rende a qualquer tipo de carinho, são carentes de natureza. Somos
frágeis - porém não menos fortes - e qualquer demonstração de
desinteresse da sua parte fazia com que as minhas fantasias “românticas”
não correspondessem com a minha maturidade. Mas aprendi que eu não
posso mais ter medo de dizer o que eu sinto, por mais careta que seja.
Mesmo que te incomode, mesmo que ria de mim. Não vou mais me limitar por
você, e se enjoar de mim, eu só lamento por não ter mais em suas mãos
alguém que não tem vergonha de expressar o amor que sente por você.
Minha intenção nunca foi magoar alguém.
Ninguém é culpado pelos meus
problemas, confesso que não deveria tratá-las como se não fizessem
difereça, mas é que sinceramente, não fazem. O motivo do meu isolamento
não é a sociedade, minha revolta contra o mundo ou porque estou magoada.
É pelo simples fato de eu querer ficar quieta no meu canto lendo um
livro ou dormindo. Ovindo música, tanto faz, o que importa é a minha
privacidade. E tenho visto que hoje em dia está em falta. As pessoas não
vão se expor na frente dos outros por medo de serem julgadas, e não
fazem quando estão sozinhas por ter vergonha de si mesmo. Acho que cada
um precisa de um tempo pra se conhecer melhor, pra se descobrir. E é o
que tem acontecido comigo. Não é depressão, nem mágoa, é querer me
desligar de tudo por algum tempo. Tenho visto tanta idiotice em volta de
mim que prefiro ficar sozinha. Pelo menos comigo mesma tenho a
liberdade que nunca vou ter com ninguém. Algumas vezes até eu me assusto
comigo. Nem eu me aguento. Não sou otimista, não faço questão de
agradar a todos e isso tem sido mal interpretado. Minha mãe diz que
estou ficando doente, minha psicóloga que eu preciso de remédios para
depressão, meus amigos dizem que estou ficando maluca. Só que ninguém
entende que eu me sinto bem menos chateada quando estou na minha
presença. As coisas do mundo tem me feito mal, tem me deixado cega ao
ponto de me olhar no espelho e não me reconhecer. Hoje tenho tanta
certeza sobre quem eu sou que me dá medo de olhar o meu reflexo. Eu sou
assim, não me vejo com as garotas populares e nem com as nerds. Eu me
vejo sozinha. Me aproximo de quemeu gosto, abraço o que me faz bem. O
que me faz mal eu simplesmente guardo dentro de mim para não descontar
nos outros. Verdade quando dizem que sou uma incógnita, mas sou simples,
decifrável. É só saber lidar.
Se afastar é necessário,
principalmente pra
mim. Sempre tive muita facilidade de fazer amigos, pela minha
personalidade e por ser “diferente” dos demais. As professoras da escola
chamavam minha mãe pra dizer que eu conversava demais na aula e que
tinha espírito de liderança. Não sei o que me fez mudar tanto em tão
pouco tempo. O que me tornei é completamente o oposto do que eu era, e
eu sofro por isso. Eu era mais bonita, mais vaidosa, mais motivada. E
isso tudo se foi junto com todas as pessoas que eu amei. A ausência dos
meus amigos e da minha família me deixou menos frágil, porém não mais
forte. Aprendi que esconder o que você sente não é medo, e sim uma auto
proteção. Como uma forma de se proteger do mundo, de não se machucar.
Sou outra Isabela. Talvez inconsequente, um pouco desligada e menos
sorridente. E com saudade de quando não havia motivos pra me magoar.
Saudade de quando tudo era mais fácil aos meus olhos.
Fracasso ou não, fingimento ou não,
obra de caridade ou não. Tenho que
arrumar um jeito de se levantar todos os dias e parar de sentir pena de
mim. Tenho que parar e sentar todos os dias, até me convencer que a
morte nem sempre resolve tudo. Tenho que parar e acreditar que a
esperança existe. Até mesmo pra mim. Preciso parar e aceitar. Sou tudo o
que digo, mas tenho que ainda que impossível, tentar. Aguentar tudo
calada. E seguir em frente. Porque ninguém nunca entenderia.
Sinto-me um fracasso,
porque sei que não sou capaz de nada, pensei que
force, até então. Mas percebi, talvez eu só seja boa em ajudar as
pessoas. Talvez apenas isso. Só que parece que não, é quase como se tudo
que eu fizesse ou tentasse nunca force suficiente, é como se eu foss
incapaz pra tudo. Não sei justificar isso. Não sei bem nem como
processar. Pode até ser como as pessoas costumam dizer, uma possível
crise existencial. Mas e dai? Não adianta, não adianta eu tentar
resolver meus problemas, se sinto que o problema parte de mim; não
adianta eu dizer que um dia vai ficar tudo bem, se até eu mesmo acredito
que vai demorar pra isso acontecer; só queria saber se tudo isso
realmente vale a pena.
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